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Tomás de Aquino
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Trabalhos Acadêmicos
por: - Data:07/11/2013 às Horário: 16:57
Ciência e Sabedoria em Agostinho: Um Estudo do De Trinitate
Anexos do Artigo: 

Esta é a Tese de Doutorado do Dr. Angelo Zanoni Ramos, nosso caro professor na graduação, arguidor na nossa Banca da graduação, orientador na Pós e preceptor em Agostinho. Como o Prof. Jivaldo, também o Prof. Angelo é-nos muito prezado, porque assim como o Prof. Jivaldo nos tutelou em Tomás, o Prof. Angelo nos ensinou a darmos os primeiros passos em Agostinho. Dizer que lemos sua Tese é pouco, porque, na verdade, estamos transitando por ela o tempo todo. É um trabalho de muitas luzes e sempre voltamos a ele, a fim de descobrirmos coisas novas e o entendermos melhor. Enfim, os diletos professores, Angelo e Jivaldo, são os “culpados” de nos enveredarmos pela varanda do dia útil do pensamento. Não temos palavras para agradecer ao Prof. Angelo por haver-nos permito a postagem desta pérola.

Apenas para fomentar a leitura, faremos uma breve resenha acerca de como entendemos a Tese do Professor. Observamos que o que segue abaixo é uma compreensão nossa.

A Tese discorre sobre a distinção entre ciência e sabedoria em Agostinho. A ciência é o resultado do exercício da razão inferior, que nos dá a conhecer o quanto precisamos saber para suprir as nossas necessidades temporais. Já a sabedoria é a ciência das coisas eternas e está acima da ciência. Quando dá aplicação às coisas eternas, a razão denomina-se razão superior. Ciência e sabedoria, em si mesmas, não são boas nem más, porque o que as qualifica é a finalidade. Assim, se a ciência é buscada por si mesma, é má; antes, se é um degrau à sabedoria, é boa. Por outro lado, em decorrência do pecado, há os que, em sua soberba, tentaram chegar à sabedoria que, na perspectiva de Agostinho, culmina na contemplação do Deus Trino na vida eterna, mediante as suas próprias forças. Em razão disso, sucumbiram numa pseudo-sabedoria. São os platônicos. Qual a solução? Cristo. Com efeito, Cristo, Deus humanado, é o único que pode ordenar a nossa ciência à sabedoria e fazer com que a própria sabedoria seja verdadeira, isto é, que se ocupe das analogias trinitárias e, assim, conheça o Deus Trino, ao menos o quanto isto for possível nesta vida. Por negarem a Encarnação, o orgulho dos platônicos fez com que eles ficassem a meio caminho, sendo sua ascese à sabedoria falsa e inútil, porque o homem não pode salvar a si mesmo. De fato, Agostinho pensa que a salvação se identifica com o cume da sabedoria, a saber, a visão de Deus na Pátria. Qual o caminho para se chegar a ela? Pela fé, dom de Deus, aceitar a Cristo, que, enquanto homem, torna-se mestre da ciência, transformando-a num modo de conhecer as criaturas como degraus para Deus, e, como Deus, mestre da sabedoria, a saber, o único capaz de nos levar à contemplação das coisas divinas. Então, o que separa Agostinho dos platônicos? A mesma coisa que separa a massa danada do coro dos reconciliados: a humildade. A dissipação do orgulho é, pois, a primeira correção da graça em ordem a uma ciência e uma sabedoria que, nesta vida, alcançam seu termo no culto verdadeiro do Deus verdadeiro, o que já confere aos que o praticam uma felicidade imperfeita, e os ordena, finalmente, à beatitude perfeita na vida eterna.

A Tese do Prof. Angelo é brilhante, pois explica um evento epocal: a “transfiguração” das virtudes da filosofia antiga em virtudes cristãs. Em todo texto, temos o movimento de “transformação” da “humildade” e ascese pagãs em humildade e ascese cristãs. Num tempo onde predominavam seitas filosóficas salvíficas, Agostinho translada esta salvação para a visão de Deus na vida eterna. Outrossim, num mundo onde ainda se tinha a pretensão de uma razão “autárquica”, o Doutor de Hipona transfere à graça crística a única possibilidade de salvação. É o itinerário da terceira navegação, vale dizer, do amor doação no qual Cristo, Deus encarnado, torna-se o único capaz  não somente de subordinar a ciência à sabedoria e, assim, integrar o homem exterior ao interior, mas também, naquela intimidade no seio da qual habita Deus, unir novamente o homem a Deus. No bojo de tudo isso, a vida eterna torna-se o fim último do homem e a contemplação filosófica passa a ser apenas um estágio para ela. Na verdade, Agostinho transmuda ou converte a transcendência emanentista do paganismo do seu tempo no sobrenatural cristão. De fato, os platônicos descobriram a dimensão do suprassensível, porém, não nos deram o modo como alcançá-lo. Agostinho diz que o modo de alcançá-lo é Cristo, verdadeiro Mestre Interior, que nos ordena, pela caridade –– amor bem ordenado –– à visão beatífica. Nela, pela contemplação de Deus e a consequente assimilação a Ele, o homem tornará a ser, desta feita dum modo indizível, Sua imagem e semelhança. Ora, vendo a Deus face a face, não haverá mais necessidade da fé. Daí que, em Agostinho, a última palavra não é a da fé, mas a da visão. Ademais, mesmo antes de haver fé, há uma intervenção da razão que precisa ser “criteriosa” para poder discriminar em que se deve crer, a fim de que a adesão não seja cega. E, mesmo no próprio ato de fé, é a razão que assente. Portanto, a razão é preâmbulo, está no ato e é recompensa da fé, recompensa esta que só se dará plenamente na visão da glória. Por tudo isso, fica evidente a pertinência de uma abordagem filosófica do pensamento de Agostinho.

Mas, reiteramos, Agostinho transporta ou eleva os conceitos de ciência, sabedoria, contemplação e transcendência para o sobrenatural cristão, fazendo com que este último se sobreponha a todas as demais formas de ciência, sabedoria, contemplação e transcendência. Daí nasce uma nova hierarquia: nesta vida, o primado passa a pertencer à fé, à teologia e à mística e não mais à filosofia. A teologia torna-se não somente ciência, mas a mais assumpta ciência humana, enquanto é preparação à ciência e à sapiência da visão na Pátria definitiva. Agostinho ascende, assim, a teologia à rainha das ciências. E, se é-nós permitido dizer, Agostinho, ao gerar seu pensamento, reproduz-se nele. Em uma palavra, ele engendra a sua experiência em sua obra. Isso a torna “subjetivista”? Não! Porque a experiência de Agostinho só termina na descoberta do Absoluto, vale dizer, dAquele que é mais íntimo a nós do que nós a nós mesmos, e esta descoberta só se consumará na clara visão.

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   Documentos da notícia:
 Angelo_ciencia_sabedoria_Agostinho.pdf
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