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As provas da existência de Deus
por: - Data:23/06/2010 às Horário: 16:27
As provas da existência de Deus em Boaventura
Anexos do Artigo: 

Boaventura foi o maior expoente da escola franciscana no século XIII. Nascido em Bagnoregio – perto de Viterbo, antiga Tuscia Romana – em 1217, Boaventura foi registrado com o nome civil de Giovanni Fidanza (nome que herdou do pai). Narra-se que ainda pequerrucho, Giovanni, cujos pais eram Maria di Ritella (Margaritella) e o médico Giovanni di Fidanza, fora acometido de uma moléstia gravíssima que quase lhe custou a vida. Sua mãe, recomendando-o a Deus, sob os auspícios de São Francisco de Assis, morto pouco tempo antes, em 1226, alcançou que o infante recuperasse completamente a saúde. Boaventura, ao longo de toda a sua vida, inclusive em seus escritos, jamais esqueceria que devia a sua existência ao patrocínio do Poverello. De fato, nunca se afastou da Ordem. Tendo feito seus estudos primários na casa franciscana de sua cidade, ainda jovem, em 1235 ou 1236, veio a Paris, onde, cursando a Faculdade de Artes (Facultas Artium), tornou-se magister artium (Mestre em artes) em 1242. No ano seguinte, fez-se franciscano. Em seguida, discípulo de Alexandre de Hales, e após anos de estudo, conseguiu a titulação de magister in theologia (Mestre em Teologia), em 1253. Na verdade, ensinou no Estúdio parisiense na qualidade de bacharel bíblico a partir de 1248; depois, como bacharel sentenciário, de 1250 a 1253; posteriormente, já como mestre regente, lecionou em Paris entre os anos de 1253 a 1257. Sabe-se, porém, que, em virtude das grandes perseguições por parte daqueles que julgavam inoportuna a presença dos mendicantes nas universidades, só obteve o pleno reconhecimento da sua licenciatura para o magistério em Teologia em 1257, quando, superada a crise, e com o apoio papal, recebeu, oficialmente, uma das cadeiras de Teologia da Universidade de Paris. Só que, ainda no começo de 1257 (2 de fevereiro, na verdade), fora eleito, por unanimidade,  Ministro Geral da Ordem franciscana, o que o forçou a abandonar precocemente a carreira acadêmica. A sua atividade na Ordem foi tão intensa e significativa, que lhe valeu o epíteto de segundo fundador dos Franciscanos. Gregório X conferiu-lhe a dignidade de cardeal da Igreja, pelo que veio a se tornar, a 23 de maio de 1273, Bispo de Albano. Tendo participado do Concílio de Lyon com notável destaque, ganhou a simpatia de todos, inclusive dos gregos. Extenuado, adoeceu depois do Concílio, vindo a falecer na madrugada de 15 de julho de 1274. Sixto IV, a 14 de abril de 1482, elevou-o à honra dos altares e, em 1588, foi proclamado Doutor da Igreja pelo Papa Sixto V, com o título de Doctor Seraphicus (Doutor Seráfico).

Dentre as suas inúmeras obras de fôlego, destacam-se: Commentarii in quatuor libros Sentenciarum Petri Lombardi (compostos entre os anos de 1248 a 1255; outros situam a sua composição nos anos de 1250 a 1252; para Grabmann, este comentário das “Sentenças” constitui o mais notável da Alta Idade Média); Quaestiones disputatae de scientia Christi e De Mysterio Trinitatis (Obras de grande valor para o conhecimento da teologia natural e gnosiologia do autor); Breviloquium (Composto certamente antes de 1257, talvez entre 1254 a 1257; trata-se de uma joia que consiste num verdadeiro compêndio de Teologia dividido em sete capítulos); Itinerarium mentis in Deum (Opúsculo composto em outubro de 1259; alguns estendem a sua composição até 1260; nele a ciência é usada para conduzir o homem, como por degraus, à união com Deus); Collationes in Hexaemeron (Pronunciadas no inverno de 1273, encontram-se incompletas. Versam sobre as iluminações de Deus, com enfoque numa interpretação simbólica da obra dos seis dias). A edição crítica das obras completas de Boaventura veio a lume na clássica edição Quaracchi, realizada entre os anos de 1882 a 1902.

Neste artigo, concisamente, procuraremos delinear as provas da existência de Deus desenvolvidas por Boaventura. Há mais de um modo de abordar as vias que nos levam a Deus, no Mestre Franciscano. Aqui adotaremos o que nos parece mais razoável. Desta feita, teremos o ensejo de mostrar que, para Boaventura, o homem possui um conhecimento inato de Deus, de sorte que Sua existência é-lhe evidente; a rigor, portanto, para o Doutor Seráfico, esta existência reclama menos uma demonstração do que o entendimento de como podemos tomar consciência dela. Dando prosseguimento ao nosso intento, buscaremos dirimir algumas dúvidas que podem ser suscitadas ao longo do nosso itinerário até Deus; fá-lo-emos arrolando qual é o conceito de conhecimento e infinitude adotado por Boaventura quando pauta a questão de Deus. Posteriormente, esforçar-nos-emos por constatar que, em Boaventura, a alma humana, por ser espiritual, está sempre e imediatamente presente a si mesma; ademais, feita à imagem e semelhança de Deus, este deixou nela, qual marca indelével, uma noção inata de Si mesmo, pelo que também Ele está presente na alma e pode ser diretamente conhecido por ela enquanto se conhece a si própria. Contudo, em virtude dos refolhos do pecado de origem e dos atuais, o homem alienou-se de si mesmo; destarte, obnubilado o conhecimento de si mesmo, também o conhecimento de Deus ficou obliterado. Por isso, o homem deve voltar-se a si mesmo novamente, a fim de reencontrar, no íntimo de si mesmo, Deus. Ora, este retorno a Deus, que só se consumará na Pátria, dar-se-á por etapas; o nosso texto, de forma sucinta, esmerar-se-á por segui-las.

Atento, o homem deve começar a sua ascensão a Deus pelas coisas sensíveis; por elas, que são vestígios de Deus, chegará a encontrá-lO como princípio e causa de todas as coisas. Em seguida, poderá então o homem redescobrir Deus no interior de sua alma, feita à imagem do Criador e dotada de uma noção inata dEle. Encontrá-lO-á, ainda, como Verdade Primeira que a ilumina e é fonte de toda verdade. E, sendo a verdade primeira, Deus apresentar-se-á também ao homem como o ser no sentido mais próprio do termo: imutável, necessário e eterno. Como tal, Ele não pode não existir e nem ser pensado como não existente. Boaventura retoma assim a prova agostiniana pela verdade, associando-a ao argumento de Anselmo (“ratio anselmi”). Neste passo, a alma descobre Deus enquanto pessoa; o momento seguinte será o do encontro do eu do homem não mais com uma noção ou ideia, mas com o Tu do Deus vivo, Bem supremo do homem. Estamos no limiar da mística, mas não adentraremos em suas profundezas. Após estes tópicos, passaremos aos comentários finais sobre o texto.

Observemos, enfim, que, em Boaventura, a questão da existência de Deus é inserida como sendo um dos estágios que constituem a redenção do homem, conquistada por Cristo no calvário. Assim sendo, ela encontra-se enxertada num contexto religioso e quem a busca é o homem regenerado pela graça. No entanto, isto não compromete a vigência filosófica da prova, visto que, para o nosso pensador, a filosofia é precisamente um dos estágios que compõem este longo retorno do homem a Deus. Na verdade, tornar o homem cônscio de que Deus existe é um condão que o nosso teólogo não denega à filosofia. Por conseguinte, se a prova da existência de Deus, em Boaventura, não tem um fim em si mesma, sendo apenas uma passagem para outro estágio, o múnus de fazer esta passagem é da alçada da filosofia. Ouçamo-lo numa perícope luminosa, na qual afirma, com meridiana clareza, que não demove da prova o rigor racional que alenta:

 

Não há dúvida de que Deus existe, se por duvidosa entendemos aquela verdade à qual falte alguma razão de evidência, seja em si, seja em comparação com o meio da prova, ou seja, em comparação com o entendimento que apreende. E a dúvida pode ser por parte do cognoscente, a saber, por defeito nos atos de apreensão, comparação ou resolução.

 

Além do aporte das fontes, servir-nos-á de referencial teórico o clássico de Étienne Gilson, em sua edição castelhana – única autorizada do original francês –, La Philosophie de Saint Boaventure, máxime no seu capítulo III: La evidencia del a existencia de Dios.

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   Documentos da notícia:
 Provas_Existencia_Deus_Sao_Boaventura.pdf
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