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Teologia Natural Tomasiana
por: - Data:04/09/2008 às Horário: 17:23
O Problema da Existência de Deus em Tomás de Aquino
Anexos do Artigo: 
 

Os tratadistas de antanho costumavam abordar a questão da existência de Deus em Tomás, a partir de um prévio estabelecimento das condições nas quais se dá o nosso conhecimento. Sem ser inexata, talvez esta perspectiva não seja a mais adequada. Com efeito, começar um sistema filosófico por uma crítica do conhecimento, ou seja, pela análise das condições de possibilidade do próprio conhecimento, é uma perspectiva inaugurada pela filosofia moderna. Por conseguinte, optar por colocar-se neste ponto de vista frente à filosofia de Tomás, é abordá-la de forma anacrônica. A filosofia tomásica, tal como a concebeu o próprio Tomás de Aquino, nunca foi e nem pretendeu ser uma filosofia crítica. Por isso, começá-la por uma teoria do conhecimento como sendo o seu pressuposto fundante, é ir de encontro ao propósito do seu próprio autor. A ressalva é de Gilson:

 

Considerar necessário pôr a teoria do conhecimento no princípio do sistema é fazê-la desempenhar um papel que nosso Doutor jamais lhe atribuiu. Sua filosofia não tem nada de uma filosofia crítica.

 

Sem embargo, Tomás jamais colocou sob suspeita que a nossa inteligência pudesse conformar-se com o ser. Ao contrário, não se cansa de repetir que o objeto próprio (objectum proprium) do nosso intelecto (intellectus) é a quididade da coisa (quidditas rei), isto é, o seu quid est. De sorte que assim como os sentidos não erram quanto ao seu objeto próprio, assim, “(...) falando de maneira absoluta, o intelecto (intellectus) não erra (non falitur) sobre a qüididade da coisa (quidditatem rei)” O que Tomás questiona em relação ao nosso conhecimento, é apenas quais sejam as coisas cujas essências nos são imediatamente inteligíveis; ademais, qual o modo como podemos chegar a apreendê-las. Sendo assim, se é certo e evidente que a nossa inteligência pode alcançar o ser, resta-nos determinar tão somente o modo de ser que seja mais proporcional à capacidade do nosso intelecto (intellectus). De fato, ele não alcança todo ser da mesma maneira. Agora bem, tendo estabelecido que a nossa razão (ratio) é sempre capaz de alcançar o ser, nada nos impede de investigar qual seja a possibilidade de ela atingir a Deus, ser infinito; além disso, de pesquisar em que condições e com que alcance ela pode chegar a conhecê-lo.

Desta sorte, se quisermos estabelecer quais sejam as razões pelas quais o Aquinate considerou desnecessária uma exposição sistemática da sua gnosiologia que precedesse a colocação do problema da existência de Deus, temos que, antes de tudo, observar que a sua filosofia é exposta enquanto “revelável” (revelabile), ou seja, obedecendo a uma ordem teológica que implica, por sua vez, na construção de uma síntese na qual Deus se encontre como princípio e fim de todas as coisas. Ora, vendo o problema sob esta perspectiva, as coisas realmente se modificam. Porque, se por um lado, concedemos que a completa inteligência das provas da existência de Deus não pode ser alcançada sem a exata determinação da natureza da nossa faculdade de conhecer, seu alcance e seus limites; por outro, não é menos verdade que numa filosofia do ser como a de Tomás, esta determinação, para ser exata, depende também de um conhecimento prévio da existência de Deus, ser primeiro. 

Assim é, porque “No pensamento de Santo Tomás o modo de conhecer resulta imediatamente do modo de ser (...)”. De forma que não podemos falar com precisão do nosso modo de conhecer, sem conhecermos, antes, o lugar que o homem ocupa na hierarquia dos seres pensantes. Mas para que saibamos, com exação, qual seja este lugar, é necessário termos em conta que, nesta hierarquia, antes do homem, existem os anjos, e, antes mesmo dos anjos, está Deus. Assim sendo, numa filosofia do real como a de Tomás, Deus tem que ser, forçosamente, o fundamento. Por isso, numa filosofia como esta, “(...) é inevitável pôr em jogo certas teses antes de havê-las demonstrado”.

Seguindo, pois, uma terminologia moderna, diríamos que Tomás não se preocupa em fixar por primeiro aqueles princípios que, desde o ponto de vista do sujeito (subjectum), condicionam o conhecimento do objeto (objectum), mas sim aquilo que, do ponto de vista do objeto (objectum), condiciona a sua cognoscibilidade para o sujeito (subjectum), apto, por sua própria natureza, à intelecção do ser. A falar com máximo rigor, Tomás não parte, nem do sujeito (subjectum), nem do objeto (objectum), mas do Ser, enquanto este é a condição de possibilidade da própria existência e cognoscibilidade de ambos, a saber, do sujeito (subjectum) que conhece e do objeto (objectum) que é conhecido.

Ademais, importa que tenhamos presente que esta forma de proceder não é uma petição de princípio, visto que a razão aqui, apenas provisoriamente coloca em suspenso qual seja o alcance ou o limite das suas próprias faculdades. De fato, uma vez tendo estabelecido a existência de Deus – como princípio e fim de todas as coisas – a razão poderá situar-se no seu lugar e assim avaliar a sua capacidade inteligível. Destarte, encontrar-se-á apta para justificar-se ante a hierarquia dos seres racionais, visto que se apresentará com resultados convincentes e convergentes. É o que acentua Gilson:

 

Proceder assim não é cometer uma petição de princípio; é deixar provisoriamente à razão, o cuidado de provar qual é seu valor e quais são as condições de sua atividade, pela riqueza e coerência dos resultados que obtenha.

 

Deveras, aqui, mais do que em qualquer outro lugar, é preciso colocar em prática a asserção feita pelo próprio Tomás num opúsculo: ao discípulo que deseja instruir-se e tornar-se douto na ciência do mestre, cabe, antes de tudo, crer nas doutrinas que este lhe ensina como verdadeiras. Só assim poderá, findo o período da aprendizagem, tornar-se versado nas coisas que lhe foram comunicadas. Só desta forma, ou seja, compreendendo-as bem, será capaz de justificá-las e defendê-las com descortino e erudição.

Partindo destes pressupostos, no nosso texto, abordaremos a questão da existência de Deus na seguinte ordem. Antes de tudo, arrolando os argumentos pelos quais pensa Tomás não ser exequível uma evidência imediata da existência de Deus. Em seguida, faremos a exposição e a correspondente refutação daqueles que defenderam esta evidência, máxime os seguidores do argumento de João Damasceno, Agostinho e Anselmo. Posteriormente, consideraremos a necessidade de uma demonstração da existência de Deus no âmbito existencial, a partir da segunda operação do intelecto, que é o juízo. A seguir, abordaremos a questão da demonstrabilidade da existência de Deus, arrazoando acerca dos seus pressupostos. Depois procederemos de tal forma a evidenciar a insuficiência das provas tradicionais da existência de Deus à luz da metafísica existencial de Tomás. Por fim, iremos tratar de como Tomás procederá na sua demonstração da existência de Deus, considerando, sobretudo, que esta demonstração dar-se-á no âmbito do existir e não no esquema essencialista. Seguir-se-ão as considerações finais ao texto.

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   Documentos da notícia:
 Problema_Existencia_Deus.pdf
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